Quando Falta Ar, Falta Tempo: Como a Enfermagem Atua nas Emergências Respiratórias Graves


A sensação de não conseguir respirar é uma das mais angustiantes para qualquer pessoa. Para o paciente, é desespero. Para a equipe de saúde, é sinal de alerta máximo. Emergências respiratórias estão entre as principais causas de atendimento em serviços de urgência, e a enfermagem ocupa posição central no reconhecimento precoce, no manejo inicial e na prevenção de paradas cardiorrespiratórias.
Insuficiência respiratória aguda e parada cardiorrespiratória não surgem do nada. Na maioria das vezes, o corpo avisa. Saber identificar esses sinais é o que separa uma intervenção eficaz de uma tragédia anunciada.
Emergência Respiratória: Quando o Corpo Não Dá Conta de Respirar Sozinho
A insuficiência respiratória aguda ocorre quando o sistema respiratório não consegue manter níveis adequados de oxigenação e/ou eliminação de gás carbônico. Isso pode acontecer de forma súbita ou progressiva e exige resposta imediata.
Situações comuns no dia a dia da enfermagem incluem:
Crises asmáticas graves
Pneumonia extensa
Edema agudo de pulmão
Bronquiolite em crianças
Exacerbação de DPOC
Aspiração de corpo estranho
Depressão respiratória por medicamentos
Em todos esses casos, o tempo é um fator decisivo.
Sinais de Alerta Que o Enfermeiro Não Pode Ignorar
Antes da parada, o paciente quase sempre apresenta sinais claros de sofrimento respiratório. O olhar atento da enfermagem é essencial.
Principais sinais:
Taquipneia ou bradipneia
Uso de musculatura acessória
Batimento de asas nasais
Cianose de lábios ou extremidades
Saturação de oxigênio baixa
Agitação, confusão mental ou sonolência
Sudorese fria e fala entrecortada
📌 Exemplo prático: paciente chega andando, dizendo “estou com falta de ar”, mas apresenta fala curta, FR elevada e SpO₂ de 88%. Mesmo consciente, é uma emergência respiratória e não pode aguardar.
Atuação da Enfermagem na Insuficiência Respiratória Aguda
O manejo inicial deve ser rápido, organizado e baseado em protocolos.
Condutas essenciais:
Avaliação imediata da via aérea e padrão respiratório
Monitorização contínua (SpO₂, FC, PA)
Oferta de oxigênio conforme necessidade (cateter, máscara, reservatório)
Posicionamento adequado do paciente (geralmente sentado)
Preparação para suporte ventilatório não invasivo ou invasivo
Comunicação imediata com a equipe médica
Registro preciso das intervenções
💡 Dica prática: muitas vezes, apenas sentar o paciente corretamente e iniciar oxigenoterapia já reduz significativamente o desconforto respiratório.
Quando a Insuficiência Evolui para Parada Cardiorrespiratória
A parada cardiorrespiratória (PCR) é o estágio mais grave das emergências respiratórias. Ela pode ocorrer por hipóxia prolongada, broncoespasmo grave, obstrução de vias aéreas ou falência respiratória não tratada a tempo.
A enfermagem deve estar preparada para:
Reconhecer rapidamente a PCR
Acionar o protocolo de reanimação
Iniciar compressões torácicas de alta qualidade
Garantir ventilação eficaz
Auxiliar na administração de medicamentos
Registrar tempos, ritmos e intervenções
Aqui, treinamento e prática salvam vidas.
A Importância da Prevenção: O Que Poderia Ter Sido Evitado
Muitas paradas poderiam ser evitadas com uma avaliação de enfermagem eficaz. A reavaliação frequente do paciente em sofrimento respiratório é indispensável.
Situações comuns que levam a agravamento:
Demora na oxigenoterapia
Subvalorização da saturação
Falta de reavaliação após nebulização
Comunicação tardia da piora clínica
O enfermeiro atua como sentinela da deterioração clínica.
Humanização em Meio à Emergência
Mesmo em situações críticas, o cuidado humanizado não deve ser esquecido. Frases simples como “estamos cuidando de você” ou “continue respirando comigo” ajudam a reduzir ansiedade, que por si só piora a dispneia.
A presença segura da enfermagem transmite confiança ao paciente e à família.
Conclusão
Emergências respiratórias exigem mais do que técnica: exigem olhar clínico, rapidez, tomada de decisão e sensibilidade. A enfermagem é protagonista desde o primeiro sintoma até a reanimação, quando necessária. Reconhecer sinais precoces, agir com segurança e trabalhar em equipe são atitudes que salvam vidas todos os dias.
Referências
Ministério da Saúde. Protocolos de Urgência e Emergência
American Heart Association (AHA). Suporte Básico e Avançado de Vida
Organização Mundial da Saúde (OMS). Emergências Respiratórias
COFEN. Atuação do Enfermeiro em Urgência e Emergência
