Lesão por Pressão em Região Sacral: Avaliação, Cuidados de Enfermagem e Registro da Evolução Clínica


A região sacral: um dos epicentros das lesões por pressão
Entre todos os locais vulneráveis ao desenvolvimento de lesões por pressão, a região sacral ocupa posição de destaque na prática assistencial. A combinação de proeminência óssea, pressão contínua, umidade, fricção e cisalhamento transforma essa área em um ponto crítico, especialmente em pacientes restritos ao leito, críticos ou com mobilidade reduzida.
Na rotina hospitalar, unidades de terapia intensiva, instituições de longa permanência e assistência domiciliar, a lesão sacral é um achado frequente e clinicamente desafiador, exigindo avaliação criteriosa e condutas sistematizadas.
Por que a região sacral é tão vulnerável
A anatomia da região sacral favorece concentração de pressão quando o paciente permanece em decúbito dorsal por longos períodos. Associam-se a isso fatores como incontinência urinária e fecal, sudorese, déficit nutricional, alterações circulatórias e rebaixamento do nível de consciência.
O resultado é um ambiente propício à hipóxia tecidual, dano celular e progressão rápida da lesão quando medidas preventivas não são implementadas de forma consistente.
Avaliação de enfermagem: o primeiro passo crítico
A identificação precoce de alterações cutâneas é decisiva. A enfermagem deve observar hiperemia não reativa, mudanças de temperatura, endurecimento tecidual, dor referida, perda de integridade da pele e presença de exsudato.
A classificação adequada do estágio da lesão orienta todo o plano terapêutico. Eritema persistente pode representar estágio inicial, enquanto perda parcial ou total de tecido indica comprometimento mais profundo.
Além do aspecto da ferida, é indispensável avaliar condições sistêmicas, mobilidade, perfusão, estado nutricional e fatores de risco adicionais.
Principais cuidados de enfermagem na lesão sacral
O manejo envolve muito mais do que curativos. A abordagem eficaz requer controle de pressão, manejo de umidade, proteção da pele, suporte nutricional e monitoramento contínuo.
Mudanças regulares de decúbito são fundamentais para aliviar a pressão sobre a área afetada. O uso de superfícies de redistribuição de pressão, como colchões especiais, auxilia na prevenção da progressão da lesão.
O controle da umidade é igualmente essencial. A exposição prolongada à urina ou fezes acelera a deterioração cutânea e compromete a cicatrização.
Procedimentos de enfermagem no manejo da lesão por pressão sacral
A assistência deve seguir princípios técnicos e científicos. Entre os procedimentos frequentemente realizados destacam-se:
Inicialmente, realiza-se a limpeza adequada da lesão com soluções compatíveis, respeitando viabilidade tecidual e evitando trauma adicional. A remoção de resíduos e exsudato é essencial para reduzir carga microbiana e favorecer cicatrização.
A escolha da cobertura deve considerar características da ferida, como presença de exsudato, tecido desvitalizado ou sinais de infecção. Curativos devem manter ambiente úmido controlado, proteger contra contaminação e minimizar dor.
A proteção da pele perilesional é uma etapa crítica. Barreiras protetoras reduzem risco de maceração e expansão da lesão.
Reposicionamento sistemático do paciente integra diretamente o tratamento, não sendo apenas medida preventiva. O alívio da pressão é intervenção terapêutica.
A enfermagem também deve monitorar sinais de complicações, incluindo aumento de exsudato, odor, alteração de coloração, dor exacerbada e sinais sistêmicos.
Exemplo de evolução de enfermagem em lesão por pressão sacral
Paciente em leito, restrito ao decúbito, apresentando lesão por pressão em região sacral. Observa-se perda de integridade cutânea, presença de tecido de granulação, exsudato seroso em pequena quantidade, bordas preservadas, pele perilesional íntegra. Realizada limpeza da lesão conforme protocolo institucional, aplicada cobertura adequada, mantido controle de umidade e reforçadas medidas de alívio de pressão com mudança de decúbito programada. Paciente hemodinamicamente estável, sem queixas álgicas durante o procedimento. Mantido monitoramento da evolução da ferida.
A importância do registro adequado
O registro de enfermagem possui relevância clínica, ética e legal. Descrever características da lesão, intervenções realizadas, resposta do paciente e evolução observada permite continuidade assistencial segura e avaliação da efetividade terapêutica.
Registros genéricos comprometem comunicação da equipe e podem impactar diretamente a qualidade do cuidado.
Complicações possíveis e vigilância clínica
Lesões sacrais podem evoluir com infecção, necrose tecidual, dor intensa, atraso na cicatrização e até repercussões sistêmicas. A enfermagem deve atuar de forma proativa na detecção de sinais de agravamento.
Alterações sutis frequentemente antecedem deteriorações relevantes.
Conclusão: cuidado contínuo, olhar clínico constante
A lesão por pressão em região sacral representa um desafio recorrente na assistência em saúde. Seu manejo exige abordagem abrangente, técnica refinada e monitoramento constante. A atuação da enfermagem é decisiva tanto na prevenção quanto na recuperação tecidual.
Cada avaliação, cada mudança de decúbito e cada curativo influenciam diretamente o desfecho clínico.
Referências
Ministério da Saúde
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP)
Conselho Federal de Enfermagem (COFEN)
Protocolos de Prevenção e Tratamento de Lesões por Pressão
Diretrizes de Segurança do Paciente



